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Motivação para perder peso após as Cirurgias de Obesidade
1 de fevereiro de 2016

Apesar do grande impacto das cirurgias para o tratamento da obesidade nos últimos anos, alguns pacientes não conseguem obter bons resultados quando à perda de peso.
O sistema de saúde e muitas práticas cirúrgicas são designados para tratar de problemas agudos, são poucos adaptáveis a obesidade para tratar de problemas crônicos, como a obesidade, requer o desenvolvimento de planos de colaboração dos pacientes para os seus problemas. Os orientadores (psicólogos, nutricionistas) lutam com a realidade de tratar de problemas crônicos, e os cuidados diários quanto a isso são responsabilidade dos próprios pacientes. A despeito de encorajar os pacientes a fazer a sua parte no processo, muitas vezes esses profissionais ficam frustrados, pela dificuldade que os pacientes têm de aderir aos programas.

Consideráveis esforços tem sido feitos para desenvolver métodos que permitam a aderência dos pacientes a esses programas. Infelizmente nem sempre se consegue o sucesso que se desejaria no manuseio destes pacientes. A natureza da obesidade, sua cronicidade, a complexidade desses cuidados, e as decisões diárias que são necessárias para a aderência dos pacientes a um determinado programa, podem não ser adequados para a vida diária do paciente.

Isto é particularmente verdadeiro quando esses programas visam à melhora da perda de peso do paciente, mas nem sempre são a prioridade, os desejos, ou os objetivos do paciente. Para obter sucesso, esses pacientes devem ser capazes de definir os seus objetivos, e tomar decisões diárias que são efetivas e que completam os seus valores de vida e os satisfaçam psicologicamente.
Devem ser estabelecidas intervenções estratégicas, que permitam aos pacientes tomarem decisões por conta própria, costumes de comportamento e responsabilidade própria sobre a sua evolução médica.

Modelos de cuidados e Educação:

Os modelos de treinamento dos profissionais de saúde são baseados em tratar os problemas agudos de saúde. O profissional de saúde (psicólogo, nutricionista, enfermeira) é a autoridade responsável pelo diagnóstico, tratamento e seguimento dos pacientes.
Esse modelo parte do princípio que o profissional de saúde conhece tudo, é o orientador do caso. Esse modo de agir parte do princípio que após as cirurgias de obesidade os pacientes têm a obrigação de seguir a orientação do cirurgião, da psicóloga, nutricionista, etc. O método é usado para conseguir a aderência do paciente usando estratégias de comportamento, esperando a mudança de hábitos do paciente. Porém, a literatura mostra que esse enfoque nem sempre produz os resultados esperados. Alguns estudos mostram que cerca de 36% dos pacientes não aderem aos grupos de suporte e desistem dos tratamentos de grupo de apoio.
Uma nova forma de abordagem é necessária, fazendo com que o paciente assuma o controle de seus problemas, dos seus desafios, e que os mesmos definam quais são os seus objetivos após a cirurgia. Essa nova abordagem é baseada em três premissas básicas: Escolha – Controle – Conseqüências.

Escolha:

O paciente deve escolher a cada dia, aquilo que terá mais impacto na sua evolução de saúde. Quando os pacientes deixam a clínica eles é, que controlam aquilo que lhes foi ensinados, eles podem incorporar ou ignorar isso. Como as conseqüências de suas decisões vão atingi-los, eles tem o direito e a responsabilidade de manejar o curso da sua perda de peso de modo que acharem melhor para seu contexto de vida. O paciente integrado no grupo deve desenvolver a sua capacidade e responsabilidade pela sua própria vida.

Embora os profissionais de saúde sejam especializados nos cuidados aos seus pacientes, estes são os responsáveis pelas suas próprias vidas. Os profissionais são apenas parceiros dos seus pacientes, dando apenas as orientações e informações necessárias sobre a doença, cuidados, comportamento, etc.
Esta forma de atuação significa que os profissionais de saúde sabem sobre os problemas da doença “obesidade”, e das cirurgias. Porém não é o mesmo que saber sobre a responsabilidade e sobre a vida do paciente. Os pacientes devem conduzir as suas decisões diárias sobre a sua saúde.
Aceitando essa filosofia os profissionais de saúde devem ter atitudes condizentes com essa forma de conduta. O papel dos pacientes é estar bem informados, e serem colaboradores nos seus cuidados consigo mesmos.

O papel dos orientadores de grupos (psicólogos, nutricionistas) é ajudar os pacientes nas suas decisões e objetivos, dando-lhes o suporte necessário.
Os cuidados de saúde dependem de uma colaboração igual entre outros; os profissionais trazendo conhecimentos e experiência sobre a obesidade, e o tratamento cirúrgico, e os pacientes trazendo a experiência de suas vidas e o que vão fazer para o seu bem estar. Vários autores demonstraram que o suporte psicosocial é necessário para muitos pacientes, para se adaptarem às demandas do período pós-operatório, com os problemas psicológicos, sociais e comportamentais.

Protocolo para mudanças dos hábitos e Costumes.

Fase I: Explorar o principal problema do passado do paciente.
(a) Qual foi a coisa mais difícil com que se deparou para perder peso antes da cirurgia. Fale mais sobre isso?
(b) Você pode dar alguns exemplos, passagens com que teve, falhou e causas?

Fase II: Abordar os desejos do presente, quais as suas expectativas, preocupações em relações a perda de peso que espera ter com a cirurgia que você realizou.

Fase III: Desenvolver um plano para o futuro.
1- O que você quer com a cirurgia?
2- Qual a situação que teria que mudar para você se sentir bem?
3- Quando você acha que isso irá acontecer em 1 mês, 3 meses, 12 meses…?
4- Quais são as principais dificuldades que você acha que irá ter no pós-operatório?
5- Quais são as suas opções em relação às dificuldades?
6- Quais são os custos e os benefícios para cada uma de suas escolhas?
7- Quem poderá ajudá-la nos seus objetivos?
8- O que aconteceria se você não conseguisse atingir o seu objetivo?
9- O que é importante, numa escolha de 1 a 10, para você fazer algumas coisas sobre isso?

Fase IV: Ações Futuras.
1- Você está pensando no que fazer para ajudar-se com os seus problemas?
2- Você já definiu quais as etapas pela quais vai passar, as dificuldades…?
3- O que você está fazendo para isso?
4- Quando você vai começar a fazer o que definiu?
5- O que você vai aprender se conseguir vencer essas etapas?
6- O que você vai fazer quando sair daqui hoje?

Fase V:
1- Como foi a sua batalha para as mudanças que houveram?
2- O que você aprendeu?
3- Quais as barreiras mais difíceis que teve que transpor?
4- O que você fará quando sair daqui hoje?

Fonte: Dr. José Carlos Pareja