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Operação para Diabéticos
1 de fevereiro de 2016

Cirurgia bariátrica para não-obesos contribui para redução de diabetes tipo 2.

Uma modalidade de cirurgia bariátrica e melabólica destinada a portadores de diabetes tipo 2 e não-obesos está em fase avançada de pesquisa na Unicamp, através do Laboratório de Investigação em Diabetes e Metabolismo (LIMED). A técnica, pioneira no mundo, age aumentando o GLP-1, uma das incretinas (hormônios) produzida no intestino que estimula a produção de insulina, ao mesmo tempo em que tenta corrigir a resistência à insulina. De acordo com o pesquisador e chefe do Serviço de Cirurgia de Obesidade da Unicamp e especialista em cirurgia bariátrica José Carlos Pareja, há três fatores que influenciam na reversão do diabetes tipo 2 a partir da realização dessa cirurgia. “A perda de peso global e de gordura visceral, e a melhora substancial nos hormônios GIP e GLP-1 são determinantes para a redução ou reversão total da diabetes tipo 2 e tudo isso é alcançado através da cirurgia bariátrica”.

A cirurgia já foi realizada em vários pacientes com esse tipo de diabetes, mas que não chegam ao peso considerado de um obeso, são pessoas com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 34,9. Essa modalidade, entretanto, se diferencia da cirurgia bariátrica clássica porque não há a redução de estômago, a chamada exclusão do duodeno jejunal. “Para a realização dessa cirurgia, fazemos uma série de exames para comprovação do diabetes tipo 2 no paciente. Essas pessoas deixaram de tomar insulina antes do procedimento e continuaram apenas tomando remédios. Após a cirurgia, vemos uma melhora substancial na produção de insulina, os resultados são semelhantes aos dos pacientes obesos. É preciso salientar também que ainda não se sabe se a reversão é definitiva”, explica Pareja.

De acordo com o pesquisador, há cerca de oito milhões de diabéticos tipo 2 no brasil. Desse número 55% tem IMC entre 28 e 34,9, ou seja, não são obesos. Um dos objetivos da pesquisa da Unicamp é contribuir para que a cirurgia de desvio do intestino seja realizada em diabéticos tipo 2 não-obesos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e também por convênios. Hoje, apenas pessoas com IMC de 35 a 39,9 com sintomas de doenças associados são operados no País. Já obesos com IMC acima de 40 têm cobertura total em todo o mundo. “Provando que os resultados são os que já imaginamos, o governo terá que pagar que pagar essa cirurgia no SUS, assim como os convênios. A médio prazo o gasto do governo com pacientes com diabetes tipo 2 seria menor, já que consequências como cegueira, doenças cardiovasculares, derrame e amputações seria reduzido”, afirma Pareja.

Fonte: Absoluta Gente. Daniele Ferreira.